The Blind Idiot
Foi-me dada a conhecer, num destes dias irrelevantes, daqueles que só desejamos arduamente que acabem para que chegue o seguinte, só mesmo para constatar se alguma coisa melhorou, uma história que me atrevo a contar aqui por considerar, de certa forma, que o que aconteceu a esta pessoa que vou seguidamente apresentar não foi um milagre, mas andou lá perto.
Como diria o Artur Albarran, "este é um daqueles casos da vida real" que acontecem no dia-a-dia do comum. Heis então o que sucedeu: um tipo normalíssimo, alguém como nós, classe média, metro e setenta e seis, moreno, numa altura extremamente complicada da sua vida cegou. Foi um fenómeno médico conhecido por cegueira instantânea. Não há sintomas, pode acontecer num dia qualquer, a uma hora qualquer, subitamente. Eu compreendo que isto possa parecer retirado do ensaio dum Nobel muito conhecido. Todavia, acreditem, não tem mesmo nada a ver.
Prosseguindo... o tal tipo, quando foi afectado por este fenómeno patológico, tornou-se um verdadeiro imbecil, um refinado idiota, sem ter, contudo, razões para tal. Cegou e estupidificou, exactamente por esta ordem.
Mas uma das particularidades da cegueira instantânea é que tal como aparece, da mesma forma desaparece. Sim, eu sei que continua a parecer retirado do "Ensaio sobre a Cegueira", mas acreditem, não passa de pura coincidência. E um dia normal, daqueles em que não sabemos o que fazer para que o tempo passe mais depressa, a cegueira passou, desapareceu, acabou, kaput. Voltou a ver. Foi, sem dúvida, extremamente benéfico para este jovem. O que ninguém foi ainda capaz de explicar foi a razão pela qual este rapaz cegou no início do seu décimo ano e só voltou a ver a meio do décimo segundo. Desimbecilizou-se, voltou a ser normal. Não que antes não o fosse, todavia era um completo idiota, o que, tendo em conta a normalidade de cada um, faz dele alguém menos normal, sendo que a palavra normal adquire aqui um sentido altamente pejorativo.
Esta história não passou dum móbil que eu utilizei para um final que me andava a apetecer escrever há muito tempo, o que, contudo, não a torna falsa. Ela é cem por cento verdadeira. Para a perceberem bem, só têm de ler nas entrelinhas (em sentido figurado). Portanto, quando estiverem mesmo na merda e quiserem fazer qualquer coisa diferente (práticas onanistas ou, quem sabe?, suicídio (perdoem-me o pleonasmo)) lembrem-se sempre que a vida só tem um problema: o ácido com muita estriquinina.
Foi-me dada a conhecer, num destes dias irrelevantes, daqueles que só desejamos arduamente que acabem para que chegue o seguinte, só mesmo para constatar se alguma coisa melhorou, uma história que me atrevo a contar aqui por considerar, de certa forma, que o que aconteceu a esta pessoa que vou seguidamente apresentar não foi um milagre, mas andou lá perto.
Como diria o Artur Albarran, "este é um daqueles casos da vida real" que acontecem no dia-a-dia do comum. Heis então o que sucedeu: um tipo normalíssimo, alguém como nós, classe média, metro e setenta e seis, moreno, numa altura extremamente complicada da sua vida cegou. Foi um fenómeno médico conhecido por cegueira instantânea. Não há sintomas, pode acontecer num dia qualquer, a uma hora qualquer, subitamente. Eu compreendo que isto possa parecer retirado do ensaio dum Nobel muito conhecido. Todavia, acreditem, não tem mesmo nada a ver.
Prosseguindo... o tal tipo, quando foi afectado por este fenómeno patológico, tornou-se um verdadeiro imbecil, um refinado idiota, sem ter, contudo, razões para tal. Cegou e estupidificou, exactamente por esta ordem.
Mas uma das particularidades da cegueira instantânea é que tal como aparece, da mesma forma desaparece. Sim, eu sei que continua a parecer retirado do "Ensaio sobre a Cegueira", mas acreditem, não passa de pura coincidência. E um dia normal, daqueles em que não sabemos o que fazer para que o tempo passe mais depressa, a cegueira passou, desapareceu, acabou, kaput. Voltou a ver. Foi, sem dúvida, extremamente benéfico para este jovem. O que ninguém foi ainda capaz de explicar foi a razão pela qual este rapaz cegou no início do seu décimo ano e só voltou a ver a meio do décimo segundo. Desimbecilizou-se, voltou a ser normal. Não que antes não o fosse, todavia era um completo idiota, o que, tendo em conta a normalidade de cada um, faz dele alguém menos normal, sendo que a palavra normal adquire aqui um sentido altamente pejorativo.
Esta história não passou dum móbil que eu utilizei para um final que me andava a apetecer escrever há muito tempo, o que, contudo, não a torna falsa. Ela é cem por cento verdadeira. Para a perceberem bem, só têm de ler nas entrelinhas (em sentido figurado). Portanto, quando estiverem mesmo na merda e quiserem fazer qualquer coisa diferente (práticas onanistas ou, quem sabe?, suicídio (perdoem-me o pleonasmo)) lembrem-se sempre que a vida só tem um problema: o ácido com muita estriquinina.

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